"MÉDICOS SEM FRONTEIRAS” ATUAM NA CRACOLÂNDIA NA GUERRA CONTRA COVID-19
Médicos da organização ajudam moradores de rua de São Paulo (Foto: Uol)

Atuante em países e regiões do planeta com conflitos militares, desastres, extrema pobreza e epidemias, a organização “Médicos Sem Fronteiras” (MSF) está com seus voluntários se empenhando desta vez em uma guerra sanitária, ajudando moradores de rua que vivem na região da cracolândia, em São Paulo.

Antes da operação de emergência em São Paulo, montada no final de março, os MSF tinham entre 10 e 15 profissionais baseados na cidade, concentrados em captação de doações e recrutamento para projetos no exterior. Agora, são 63 pessoas envolvidas no enfrentamento à covid-19 em São Paulo, a cidade mais afetada do país.

A médica Ana Letícia Nery , de 31 anos, é a coordenadora do projeto. Ana já tratou de homens e mulheres atingidos por estilhaços de bomba na guerra no Iêmen, em 2016; cuidou de vítimas de bombardeios na ofensiva contra o Estado Islâmico em Mossul, no Iraque, em 2017; enfrentou a epidemia de cólera após o ciclone que devastou o norte de Moçambique, em 2019; e atendeu crianças com sarampo e malária na área controlada pelo Boko Haram na Nigéria, também em 2019.

Ela contou que nunca tinha imaginado que teria de cumprir uma missão em seu próprio país, em plena cidade de São Paulo. Desde o fim de março, ela passa seus dias entre a cracolândia, a praça da Sé, o largo São Francisco, e abrigos para moradores de rua, como o Boracea, na Barra Funda. Seu trabalho é semelhante ao dos profissionais dos MSF que entravam em vilarejos no oeste da África durante a epidemia de ebola, que precisavam identificar pessoas contaminadas e levá-las aos hospitais, para que pudessem receber tratamento e não disseminassem a doença.

Os MSF têm auxiliado a prefeitura, que criou oito novos centros emergenciais, com funcionamento 24 horas, para acolher pessoas em situação de rua, em um total de 680 novas vagas. A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social também planeja usar hotéis para abrigar moradores de rua.

Segundo pesquisa divulgada pela gestão Bruno Covas (PSDB) no final de janeiro, há 24.344 pessoas em situação de rua na cidade. Dessas, 11.693 estão abrigadas e 12.651 em logradouros públicos ou na rua.

Um grande desafio é evitar que os abrigos ou as aglomerações nas ruas se tornem focos de contágio pela covid-19. (Fonte: jornal Folha de S. Paulo)

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