ESPECIALISTAS VEEM INDÍCIOS DE ACHATAMENTO DA CURVA DO CORONAVÍRUS EM SP
Na visão de especialistas, isolamento social é responsável pelo menor número de casos

O Estado de São Paulo registrava até esta quarta-feira, dia 14, às 15 horas, 778 mortes causadas pelo covid-19 (novo coronavírus), metade do número de óbitos previsto pelo governo estadual há uma semana. Especialistas apontam que há indícios de que o Estado está conseguindo “achatar a curva” de propagação do coronavírus, isto é, retardar o pico de mortes e contaminações pela doença.

O responsável pelo possível achatamento, na visão dos especialistas, é o efeito do isolamento social. Entretanto, a subnotificação dos casos e a fila de exames podem impedir que a curva traduza de forma precisa o avanço da doença no Estado.

Segundo o professor José Fernando Diniz, do Instituto de Física da USP, devido à subnotificação, não é possível saber o tamanho real do gráfico de mortes por coronavírus no Estado, mas o formato do gráfico que se forma já mostra um retardamento do pico de contaminações.

Para o médico Munir Ayub, da Sociedade Brasileira de Infectologia, “a curva está de fato achatando”, mas ainda existe o risco de chegarmos à previsão de 1,3 mil mortes nos próximos dias, quando os exames que ainda aguardam resultado devem ser solucionados.

O governo não informa quantas das mais de 20 mil amostras que estão paradas no Instituto Adolfo Lutz pertencem a pessoas que já morreram.

Diniz, que faz estudos com os dados do Estado desde o início da pandemia, afirma que é possível verificar que o número de casos e de mortes está crescendo mais lentamente que no resto do país.

Ele explica que, apesar de haver subnotificação nos dois números, os dados que temos atualmente em São Paulo são suficientes para mostrar que o isolamento social está ajudando a “achatar a curva” de contaminação.

“Nós não chegamos hoje aos 1,3 mil [mortos por coronavírus em São Paulo] mais por efeito do isolamento social do que pela subnotificação. A subnotificação deveria respeitar uma lei, quando você olha a curva de casos, se em um ponto dela há subnotificação, nos pontos anteriores ou seguintes também deve haver”, afirma José Fernando Diniz da USP. (Fonte: G1)

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