Um país como o Brasil, abençoado por ter uma diversidade de fauna e flora que faz inveja a outras nações com extensão territorial tão grande quanto a nossa, acabou, por isso, sendo agraciado por belezas naturais de encher os olhos. Basta olhar os monumentos naturais do estado de São Paulo, como a Serra da Cantareira, na capital, e a Serra das Cabras, na região de Campinas, para perceber esse privilégio natural brasileiro.

Para além das grandes cadeias montanhosas e também da mata nativa que cidades como Valinhos protegem com muito orgulho, é possível captar também as belezas em um escopo menor, mas tão encantador quanto. As flores brasileiras, tanto as nativas quanto as que foram trazidas para o país por conta de nossas condições climáticas favoráveis, são um dos melhores exemplos neste quesito.

Naturalmente, algumas destas flores se encontram no topo de grandes árvores da nossa flora, algumas delas bastante representativas de regiões do país e até do país como um todo. Os jacarandás, por exemplo, foram por muito tempo fornecedores da “madeira de lei”, dando origem aos móveis de casas brasileiras e europeias em tempos mais antigos, com suas flores roxas hoje servindo de decoração em parques espalhados mundo afora. Já o pau-brasil, ainda que mais conhecido por sua função de ter integrado o Brasil à economia mundial por conta de sua madeira e também da resina que era utilizada para fazer corantes vermelhos, também dá origem a flores amarelas que podem ser vistas a quilômetros de distância no horizonte, nas matas onde a árvore ainda se faz presente.

 

 

Mas, entre as flores e floriculturas no Brasil, as orquídeas talvez sejam o grande destaque. Estas flores da família Orchidaceae podem ser encontradas em basicamente todos as partes do mundo, exceto nos polos Norte e Sul, onde as condições climáticas são adversas para a existência de qualquer flora. Sua beleza e diversidade motiva cultivadores do Brasil a se reunir anualmente em Campinas, na Exposição Nacional de Orquídeas, que, no ano passado, teve sua 22ª edição. A feira serve não só para expor e vender as flores, mas também para ensinar entusiastas em potencial a cultivá-las.

O peso das orquídeas pode ser sentido também em âmbito cultural. O filme A Orquídea Negra, produzido e distribuído pelo estúdio Paramount em 1959, tinha como protagonista a atriz Sophia Loren como uma florista procurando ajeitar sua vida após se tornar viúva. A peça cinematográfica Adaptação, com roteiro de Charlie Kaufman e distribuição realizada pela Columbia Pictures, conta a história do próprio Kaufman e sua tentativa de escrever um roteiro que adapte o livro O Ladrão de Orquídeas, da autora Susan Orlean. No pôster oficial do filme, há um pote quebrado no formato do rosto do ator Nicolas Cage com uma orquídea branca posicionada no chão.

A orquídea branca também faria aparição em outra peça no ramo de entretenimento que talvez seja inusitada em primeira impressão. Entretanto, o ramo de cassinos está sempre à procura de temáticas diversas para introduzir novos produtos e jogos nas casas que possuem plataformas tanto físicas quanto online. Um destes jogos é White Orchid, produzido pela gigante da indústria de jogos de cassino online IGT e que pode ser jogado de forma gratuita em sites que apresentam novos jogos de caça-níquel. Sua premissa visual são as orquídeas e espécies nativas de nossas matas, como a onça-pintada. No mercado de videogames, o jogo The Sims 4, da Electronic Arts, permite que seus jogadores possam manter jardins em suas casas. Uma das flores disponíveis são as orquídeas, que são também espécies bem raras dentro desse mundo virtual.

No mundo musical, o melhor exemplo é a referência direta às orquídeas por parte do cantor e compositor Djavan, em uma música com o nome “Orquídea”. O mestre dos acordes complexos de violão dá show em nomear vários gêneros de orquídeas do Brasil em uma trama romântica.

 

 

Assim se vê que no âmbito das flores as orquídeas estão entre as que mais aparecem e mais inspiram artistas tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Isso deve ser explicado em parte por sua presença mundial, que já se fazia intensa em relatos herbários na China de quase 4 mil anos atrás. No entanto, não é apenas a sua presença que explica todo esse fascínio. O outro lado é de fato a beleza da flor e sua capacidade de se apresentar em vários formatos e cores diferentes, a depender do clima, das condições de solo e até dos “cruzamentos” que são feitos entre espécies diferentes. Isso tudo dá origem a uma multiplicidade de cores inusitadas e inovadoras, o que faz dessa flor uma febre em mercados do gênero – como ocorreu na Inglaterra com a Cattleya labiata, também conhecida como “Rainha do Sertão” brasileiro, que se tornou popular no país quando introduzida aos ingleses no século XIX.

Enquanto a orquídea pode estar bem distante da extinção, é importante ainda continuar a cultivá-la e, consequentemente, protegê-la. Algo que deve ocorrer não só por sua beleza, mas também por seu claro impacto e importância cultural tanto aqui quanto lá fora, inspirando artistas através de suas pétalas e perfumes.

 

ORQUÍDEAS NO BRASIL E NO MUNDO SÃO FONTE DE FASCÍNIO POPULAR E INSPIRAÇÃO CULTURAL
Flor exposta na 22ª Exposição Nacional de Orquídeas de Campinas

 

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